"[Disse Jesus]: O Reino dos Céus é como uma rede que é lançada ao mar e apanha toda sorte de peixes. Quando está cheia, os pescadores a puxam para a praia. Então se assentam e juntam os peixes bons em cestos, mas jogam fora os ruins" (Mateus 13.47,48)
É inevitável! Todos os pais sabem que haverá um momento em que os filhos tomarão suas próprias decisões, farão suas próprias escolhas e assumirão o governo de suas próprias vidas! Então eles exercitarão o livre arbítrio com o qual foram agraciados por Deus assim como seus pais! Livre arbítrio significa ter a capacidade de tomar decisões e fazer escolhas soberanas, bem como assumir a responsabilidade por elas.
Assim que saem da primeira infância (fase de lactação, quando ficam totalmente sob a proteção e a influência dos pais) e entram na idade escolar, os filhos são expostos a um verdadeiro mar de informações, opiniões e influências diferentes. Os filhos ficam literalmente como aquela "rede lançada ao mar, que coleta toda sorte de peixes". Além dos pais, ficam expostos à influência de muitas outras pessoas: Professores, funcionários de escolas e pré-escolas, colegas de classe, vizinhos e pais de vizinhos, a lista é quase infindável. Infelizmente, nem todas essas pessoas serão uma boa influência para a criança... Mas o que os pais podem fazer? Alguns pais tentam evitar esse contato, mas descobrem que é praticamente impossível... Pelo menos SEM comprometer o crescimento e o desenvolvimento do filho!
Além das pessoas, temos também a influência da televisão com todas as suas programações e noticiários e a internet que está chegando cada vez mais cedo ao alcance das crianças...
Não tem como evitar. É a fase da coleta de dados. A rede é lançada no mar e vai coletando peixes grandes e pequenos, bons e ruins... Não tem como selecionar. A rede vai passando e capturando tudo.
O que os pais precisam aprender é se preparar para o que vem a seguir: "Os pescadores se assentam e juntam os peixes bons em cestos, mas jogam fora os peixes ruins". Embora a intenção seja altamente louvável, muitos pais falham ao tentar estabelecer formas arbitrárias de censura à informação. Não estou querendo dizer que o acesso à informação disponível deve ser irrestrito. Já foi provado que as crianças e adolescentes deste século XXI têm acesso a muito mais informações do que são capazes de processar!
Os critérios de censura, porém, NÃO podem ser arbitrários ou incoerentes. Não podem ser fundamentados em gosto pessoal, formação cultural, ou qualquer outro critério subjetivo. Os critérios de restrição à informação devem ser fundamentados nos princípios da Palavra de Deus e nos princípios de desenvolvimento humano!
Bem, para o terror dos pais,a verdade é que os critérios de restrição e de censura, mesmo quando são saudáveis, acabam sendo burlados intencionalmente ou não. Alguém fala algo impróprio próximo da criança (que parece distraída, brincando), os pais torcem para que ela não tenha ouvido, mas dali a pouco vem a pergunta ou a repetição!
O importante é os pais prepararem os filhos para terem critério sobre o que são "peixes bons" e o que são "peixes ruins". Depois que todo o espaço na memória foi preenchido com informações variadas, os filhos precisam "se assentar e selecionar o que fica em suas vidas e o que é lançado fora". E neste processo os pais devem ter um papel fundamental!
Hoje vemos crianças, adolescentes e jovens jogando fora os peixes bons e retendo os peixes ruins porque não aprendem com os pais a ter um critério saudável. Mesmo nas famílias evangélicas, onde isso NÃO deveria ocorrer, vemos o mesmo modelo lastimável! A Palavra de Deus, que deve ser a nossa "regra de fé e prática" não faz parte da vida ordinária. A Bíblia é pouco lida. Boa parte do que é lido não é plenamente compreendido e quase nada é aplicado na vida cotidiana. E assim, quem determina que peixes são bons e que peixes são ruins acaba sendo o próprio "peixe ruim"...
Pais, estabeleçam princípios justos e coerentes na censura às informações levando em conta os ensinos da Palavra de Deus e os princípios do desenvolvimento humano! Lembrem, porém, que o mais importante é "sentar" junto com os filhos e ajudá-los a construir um critério próprio na determinação do que é bom e o que é ruim, o que deve ser retido e o que deve ser descartado! Essa será a base que eles precisarão no exercício pleno do livre arbítrio!

