domingo, 12 de abril de 2026

"O SONHO AMERICANO DEVE INCLUIR OS ÍNDIOS!"

"Ora, este foi o pecado de sua irmã Sodoma: Ela e suas filhas eram arrogantes, tinham fartura de comida e viviam despreocupadas; não ajudavam os pobres e os necessitados. Eram altivas e cometeram práticas repugnantes diante de mim. Por isso eu me desfiz delas conforme você viu" Ezequiel 16.49,50

Todos nós conhecemos a história de Sodoma e Gomorra, as duas cidades que foram destruídas por Deus (veja Gênesis Capítulo 19). Caiu fogo do céu e todos os moradores da cidade foram mortos. Nós costumamos associar a destruição de Sodoma às suas práticas de imoralidade e perversão sexual. O profeta Ezequiel, não nega a prática de imoralidade e perversão sexual. Sim, esses pecados estavam presentes em Sodoma. Mas os pecados que desencadearam a ira divina sobre a cidade foram outros.

Arrogância e Altivez

De acordo com Ezequiel, os moradores de Sodoma tinham uma atitude de superioridade sobre os outros, principalmente os menos afortunados.

Fartura de comida e vida despreocupada

Em geral esses dois elementos geram uma atitude ociosa e hedonista. As pessoas não precisam se esforçar muito para obter a comida, então se tornam ociosas e o tempo livre ocasiona a busca exacerbada do prazer. Nesse ponto podemos compreender os altos níveis de imoralidade e perversão sexual em Sodoma. Em geral, enquanto um grupo vida na fartura e tem uma vida despreocupada, é sinal de que há outro grupo trabalhando 

Lembra alguém?

Não é difícil imaginar a elite de Sodoma se reunindo em festas e banquetes regados a vinhos e comidas exóticas e terminando em orgias sexuais, onde meninas e meninos, rapazes e moças pobres eram usados e abusados para o deleite dos poderosos!

Não ajudavam os pobres e os necessitados

 Em Sodoma, a fartura de alimentos e a vida despreocupada não era para todos. O "sonho" era apenas para alguns. Como não poderia deixar de ser, surgiram as desigualdades sociais e aqueles que alcançavam o apogeu financeiro  fechavam os olhos, os ouvidos e o coração para aqueles que não chegavam. Os pobres serviam apenas como instrumento de enriquecimento e de prazer.

O pecado de Sodoma

Não podemos negar que o povo de Sodoma cometia graves pecados sexuais. De acordo com o Profeta Ezequiel, porém, havia pecados mais graves sendo cometidos. Empresas grandes como a Refinaria Refit, Casas Bahia e Carrefour (entre outras) são investigadas por sonegar bilhões de Reais em impostos federais e estaduais. Quando o Governo se propõe a ir atrás desses "peixes grandes" que se banqueteiam e festejam lá no "andar de cima", os seus defensores dizem ao Governo deve deixá-los em paz e em vez disso, "corte gastos". Pequenos e médios comerciantes vendem produtos sem Nota Fiscal, sonegam impostos e aumentam indevidamente os preços dos produtos básicos. Grandes produtores agrícolas contratam trabalhadores e os colocam pata trabalhar em condições de quase escravidão. Jovens menores de idade são colocados para trabalhar como adultos em troca de uma fração do Salário Mínimo. Mas esses pecados contra os pobres não incomodam os defensores dos valores familiares, tão preocupados que estão com questões banheiros unissex e homossexualismo.

 O "Sonho Americano"

Em sua canção "San Franciscan Nights" o cantor Eric Burdon diz que "o Sonho Americano deve incluir também os índios". Infelizmente, porém, os índios não foram incluídos. Nem tampouco os negros e os imigrantes. E esse "Pesadelo Americano" foi exportado para outros países, onde também foi deixando de fora grandes parcelas das sociedades onde foi implantado. 

Sodoma viveu uma versão do "Sonho Americano". E da mesma forma, criou uma elite que enriqueceu, experimentou prosperidade e abundância de comida, sem nenhuma preocupação com os que ficaram de fora. E foram punidos severamente.

Esse é o pecado grave que deve ser denunciado nas tribunas, nos palanques, nos púlpitos e nas Redes Sociais. Esse é o pecado que, se não foram abandonado com arrependimento e reparação, trará a ira de Deus sobre a sociedade!

 

domingo, 29 de março de 2026

A BÍBLIA E A DISTRIBUIÇÃO DE RENDAS

 

"Davi foi até os duzentos homens que estavam exaustos demais para segui-lo e tinham ficado no ribeiro de Besor. Eles saíram para receber Davi e os que estavam com ele. Ao se aproximar com seus soldados, Davi os saudou. Mas todos os elementos maus e vadios que tinham ido com Davi disseram: 'Uma vez que não saíram conosco, não repartiremos com eles os bens que recuperamos. No entanto, cada um poderá pegar sua mulher e seus filhos e partir'. Davi respondeu: 'Não, meus irmãos! Não façam isso com o que o Senhor nos deu. Ele nos protegeu e entregou em nossas mãos os bandidos que vieram contra nós. Quem concordará com o que vocês estão dizendo? A parte de quem ficou com a bagagem será a mesma de quem foi à batalha. Todos receberão partes iguais'. Davi fez disso um decreto e uma ordenança para Israel, desde aquele dia até hoje" (1 Sm 30.21-25)
 
A Bíblia não é apenas um livro de mandamentos e ordenanças. A Bíblia é também um livro de princípios e de bons conselhos. E acima de tudo, a Bíblia não é um livro de escravização, punição e de condenação. Em sua essência, Ela é um livro de liberdade e redenção. Por não entender essas verdades simples e fundamentais, muitas pessoas se afastam horrorizadas da Bíblia como se ela fosse inimiga da liberdade individual e da felicidade.
 
Acima de tudo, a Bíblia não é um tratado político. Ela não defende essa ou aquela ideologia. Tampouco apresenta uma ideologia como ideal, em detrimento de outra. Por isso, não podemos criar uma ideologia e ajustar as verdades bíblicas a ela. O processo deve ser inverso. Devemos compreender as verdades bíblicas, os mandamentos e os princípios e aplicar tudo isso à nossa ideologia, qualquer que seja ela.  

Davi tinha seiscentos homens sob seu comando. Homens corajosos e dedicados. Em certa ocasião, eles perseguiram um destacamento de amalequitas que haviam atacado e saqueado a cidade onde moravam. Durante a perseguição, duzentos soldados ficaram para trás por estarem exaustos. Aqui, mais uma vez vemos como as pessoas são diferentes e não apenas isso, mas como essas diferenças precisam ser respeitadas.
 
Dos seiscentos soldados, duzentos ficaram impossibilitados de seguir adiante na perseguição e entrar na batalha contra os inimigos. Conhecendo minimamente a Natureza Humana,  não é difícil imaginar que a partir do momento em que a exaustão foi considerada um motivo legítimo para não seguirem com o grupo, muita gente capaz alegou exaustão para também ficar para trás. Alguns não estavam exaustos fisicamente, mas estavam com medo dos amalequitas. Outros estavam emocionalmente abalados com as perdas que tinham sofrido. Outros eram preguiçosos. E, como não poderia faltar, certamente havia também os malandros que viram ali uma oportunidade de deixar outros se arriscarem no lugar deles.
 
O texto bíblico narra que quatrocentos soldados seguiram adiante na perseguição, alcançaram os inimigos, se engajaram no combate e venceram: "Nada faltou; nem jovens, nem velhos, nem filhos, nem filhas, nem bens nem qualquer outra coisa que fora levada. Davi recuperou tudo. E tomou também todos os rebanhos dos amalequitas, e seus soldados os conduziram à frente dos outros animais, dizendo: 'Estes são os despojos de Davi'"  (1 Sm 30.19,20).
 
No retorno, quando os dois grupos se reuniram novamente e chegou o momento de dividir os despojos, ficaram diante de um dilema: Seria justo que os duzentos soldados que não participaram da batalha, tivessem parte nos despojos?
 
MERITOCRACIA
 
"Todos os maus e vadios que tinham ido com Davi disseram: 'Uma vez que não saíram conosco, não repartiremos com eles os bens que recuperamos. No entanto, cada um poderá pegar sua mulher e seus filhos e partir'"  (1 Sm 30.22)
 
"Quem se esforçou, é recompensado. Quem não se esforçou, fica sem nada!". Quando mal interpretada, é isso que diz a Meritocracia. Os duzentos soldados que não participaram da batalha, não tinham direito ao despojo. Faz sentido, é claro.
 
A Meritocracia então, dividiria os soldados em dois grupos: Um grupo inferior, composto pelos fracos, subnutridos, medrosos, preguiçosos e malandros (pessoas diferentes, com motivos diferentes, todas colocadas no mesmo grupo!). E o outro grupo superior, formado pela elite dos mais fortes, os mais bem alimentados, mais dedicados etc.

A meritocracia dentro da meritocracia
 
Os "maus e vadios" (perceba como a Bíblia destaca esse detalhe) sugeriram que o despojo fosse distribuído de acordo com o mérito individual. Muito bem. Vamos chamar os quatrocentos soldados que participaram da batalha, um a um. Vamos elaborar um questionário. "Quantos inimigos você matou? Você ficou na linha de frente ou ficou na retaguarda? Sofreu algum ferimento? Quantas flechas disparou? Qual o índice de aproveitamento, as flechas disparadas e os inimigos mortos?".
 
Homens "maus e vadios" não são dados a heroísmo ou a sacrifíciosGeralmente são covardes, se escondem atrás de outros, pisam em cima de outros, fazem qualquer coisa para sobreviver. Entre os duzentos que ficaram para trás, certamente havia soldados mais valorosos, mais corajosos e mais nobres do que os "maus e vadios" que agora reivindicam uma parte maior do que a merecida e apelam para um falso senso de justiça.

A FALÁCIA DA MERITOCRACIA
 
Às vezes o mendigo sentado na calçada é mais capaz do que o gerente do banco ou o executivo da empresa multinacional. Às vezes o empregado tirou melhores notas na escola do que o dono da empresa. Às vezes o catador de papelão é mais nobre, mais corajoso do que o milionário. Às vezes o pobre é mais sábio do que o rico.
 
O QUE DAVI NOS ENSINA
 
"Decreto e ordenança para Israel".  Um evento, uma batalha se transformaram em princípio a ser considerado e aplicado em situações posteriores. Mandamentos devem ser obedecidos. Princípios devem ser considerados e aplicados com sabedoria. Infelizmente, hoje em dia Davi seria chamado de "comunista", "socialista" ou "marxista". Na verdade, Davi era apenas um homem com um coração agradecido e que reconhecia que pessoas são diferentes e que essas diferenças não devem causar divisões ou criar elites.
 
"Respeitar as diferenças e as limitações de cada indivíduo". Aqueles duzentos soldados que ficaram para trás teriam oportunidade de mostrar valor em outras batalhas.  O fato de terem sido incluídos na distribuição das riquezas seria o motor que os inspiraria no momento oportuno.
 
"A exclusão gera revolta, raiva, frustração e falta de motivação.  A inclusão gera gratidão, inspira e motiva!". Davi disse: "Não façam isso com o que o Senhor nos deu!". Pessoas agradecidas são generosas. Pessoas agradecidas são solidárias. Pessoas agradecidas reconhecem que aquilo que possuem nunca se deve unicamente ao seu mérito pessoal. Alguém ajudou. Alguém estendeu a mão. Alguém deu uma oportunidade. Alguém teve paciência. O médico agradecido lembra do professor que lhe deu um prazo maior na entrega de um trabalho. O gerente agradecido lembra do colega veterano que o apoiou e instruiu quando foi contratado.
 
A vitória dos quatrocentos soldados serviria de motor e de inspiração para os duzentos soldados. No futuro, eles dariam o melhor de si nas batalhas e dividiriam os despojos com os exaustos. E certamente chegaria o momento em que os preguiçosos, os mentirosos e os malandros não teriam onde se esconder e receberiam o devido tratamento. 
 
Os soldados israelitas entraram no combate com duzentos soldados a menos e mesmo assim obtiveram uma vitória. Davi reconheceu a mão de Deus e estava agradecido. A gratidão inspira a partilha e a solidariedade. A ingratidão gera o egoísmo e a falta de empatia. Os soldados "maus e vadios" camuflaram o egoísmo e a falta de empatia atrás de um falso senso de justiça. Hoje muitas pessoas escondem o próprio egoísmo, a falta de empatia, a falta de solidariedade e a falta de gratidão atrás de uma visão distorcida de "Meritocracia".
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 17 de março de 2026

A BÍBLIA, EMPREGADORES E EMPREGADOS

"Ouçam agora vocês, ricos! Chorem e lamentem-se, tendo em vista a miséria que lhes sobrevirá... Vejam, o salário dos trabalhadores que ceifaram os seus campos, e que por vocês foi retido com fraude, está clamando contra vocês. O lamento dos ceifeiros chegou aos ouvidos do Senhor dos Exércitos" Tiago 5.1-4

Como já vimos, as pessoas são diferentes. Essas diferenças decorrem de questões culturais, étnicas, sociais, familiares e individuais. Diferente não é sinônimo de superior ou inferior. Não é sinônimo de melhor ou pior. E tampouco é sinônimo de certo ou de errado. Por exemplo, a banana é superior à laranja? A cenoura é melhor do que a batata? Quem está certo, a geladeira ou o fogão?

E as diferenças vão fazendo a diferença, por assim dizer. Muitos treinam arduamente e fazem grandes sacrifícios. Mas nem todos ganham medalhas. Muitos trabalham duro e se dedicam, mas nem todos recebem promoção. Nem sempre há vagas disponíveis para todos os desempregados. Não é difícil de entender.

Como nos nossos dias, nos dias de Tiago, havia grandes produtores rurais de um lado e havia trabalhadores do outro. E diferente dos nossos dias, não havia CLT. Não havia sindicatos. Os salários eram combinados entre empregadores e empregados, sem interferência do Estado.

Como pode se imaginar, devia haver mais oferta de mão de obra do que vagas disponíveis. Quando a oferta é maior do que a procura, o preço cai.  Quando a fila de desempregados dá a volta no quarteirão, o trabalhador sabe que não pode sentar, cruzar as pernas e determinar quanto quer ganhar. Vai ter que aceitar o que for oferecido. Não é difícil de entender. E assim o valor do trabalho vai sendo estabelecido por critérios mensuráveis, claros e bem definidos.

"Salário retido com fraude" 

Tiago não condena a desigualdade entre produtores e ceifadores. Ele não condena a relação entre empregadores e empregados. Ele não condena nem mesmo o valor do salário. Tiago condena duramente a ganância, a busca desenfreada por lucros desmedidos. O que chega "aos ouvidos do Senhor", segundo Tiago, é a falta de caráter e a falta de escrúpulos, não de todos, mas de alguns produtores.

Um garoto de dezessete anos foi contratado para colher café numa grande plantação. Apesar de ser menor de idade, foi contratado, sem registro, em detrimento das Leis Trabalhistas e do Estatuto do Menor e do Adolescente. O garoto se esforçou, trabalhou duro e no final, quando foi receber o salário, percebeu que o valor não era o que tinha sido combinado. O patrão explicou que tempos atrás o irmão do garoto havia trabalhado na colheita, pediu um adiantamento e desapareceu. O patrão então descontou do seu salário o valor que o irmão ficou devendo. E aquele garoto teve que aceitar, sem ter a quem recorrer ou onde reclamar.

Quando não há legislação e supervisão, as relações trabalhistas funcionam com base na lei do mais forte, do mais poderoso. E homens gananciosos enriquecem à custa do trabalho, do sacrifício e do sofrimento dos outros. Os direitos do trabalhador passam a depender única e exclusivamente do caráter e do senso de ética do empregador.

Lembremos que as pessoas são diferentes.  Algumas são honestas, outras não. Algumas têm escrúpulos, outras nem tanto. Num Estado Democrático de Direito, as Leis servem como proteção para os mais fracos nas suas interações com os mais fortes. Como aquele garoto que trabalhou na colheita.

Quem crê na Bíblia e tem a Bíblia como "regra de fé e prática", deve viver de acordo com os seus princípios e mandamentos. Devemos reprovar aquilo que a Bíblia reprova, em todas as circunstâncias.

As desigualdades sempre estarão presentes nas relações humanas. Para combater as injustiças, os abusos, a exploração e a opressão, não podemos permitir que "o salário do trabalhador seja retido com fraude". É preciso que haja leis e que essas leis sejam cumpridas por todos!




terça-feira, 10 de março de 2026

POBREZA

"Os pobres vocês sempre terão consigo, mas a mim vocês nem sempre terão" João 12.8

Embora seja um assunto muito recorrente na Bíblia, essa foi praticamente a ÚNICA afirmação que o Senhor Jesus fez sobre a importante questão da POBREZA e do POBRE. Basta fazer uma pesquisa básica usando uma Chave Bíblica e vemos que a pobreza (e suas ramificações) é amplamente abordada no Antigo e no Novo Testamento. O assunto não é ignorado. Mesmo assim, o Senhor Jesus pouco falou sobre isso.

"Sempre haverá pobres!" 

Jesus se limitou a afirmar de forma categórica, quase profética, que sempre haverá pobreza no mundo. Sempre haverá desigualdades sociais. É impossível acabar com as desigualdades sociais ou com a pobreza. 

Desigualdade inerente 

Faça um teste simples. Elabore um questionário com 20 perguntas sobre qualquer assunto: Bíblia, Geografia, História, Atualidades etc. Elabore as perguntas com níveis diferentes de dificuldade. Escolha um grupo homogêneo de 20 pessoas. Por exemplo, mesma faixa etária, mesmo nível de escolaridade, mesmo local de nascimento (Estado, cidade ou bairro), ou mesmo gênero. Pode ser qualquer critério que todas elas tenham em comum. Distribua a todas o mesmo questionário e ofereça um prêmio para aquelas que conseguirem acertar todas as perguntas. Estabeleça um tempo máximo para responder, que todas terão que cumprir. Será que as 20 pessoas acertarão as 20 perguntas?

Esta é uma forma simples de constatar que, por mais iguais que sejam, as pessoas são diferentes. Talvez por esta razão o Senhor Jesus falou tão pouco sobre pobreza. E quando falou, foi tão enfático. Há desigualdades entre um Ser Humano e outro. Sejam da mesma família, do mesmo país, do mesmo gênero, da mesma faixa etária etc. E essas diferenças se revelam em todos os aspectos da vida, inclusive no desenvolvimento pessoal e na busca do enriquecimento!

Uma verdade inquestionável!

"Vocês não sabem que dentre todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio? Corram de tal modo que alcancem o prêmio" (1 Co 9.24)

Não importa a modalidade. Não importa o número de competidores. Só haverá 01 Medalha de Ouro (além de 01 de Prata e 01 de Bronze como prêmio de consolação para aqueles que quase conseguiram!). E é assim porque de antemão nós sabemos que, como disse o apóstolo Paulo, apenas 01 pessoa conseguirá a maior pontuação. Quando há empate, ou seja, uma igualdade de desempenho. nós estabelecemos critérios de desempate, até que se estabeleça uma diferença entre elas!

A falácia de Meritocracia

Recentemente nós acompanhamos os Jogos Olímpicos de Inverno na Itália e ficamos impressionados e boquiabertos com as proezas que um Ser Humano consegue realizar. Na patinação, por exemplo, todos os competidores eram excelentes. Todos treinaram duro e fizeram muito esforço e sacrifícios para chegar até ali. Todos eram muito superiores ao resto da Humanidade. Todos mereciam a Medalha de Ouro.  Mesmo assim, apenas 01 a conquistou! E muitas vezes, a diferença entre o ouro e a prata são questões insignificantes como um milionésimo de segundo. Na verdade, se todos fossem iguais, não haveria competição!

A Meritocracia diz que se você treinar duro, se dedicar, perseverar e estiver disposto a fazer sacrifícios, receberá uma Medalha de Ouro. Mas quando você chega lá, descobre que só há 01 Medalha de Ouro!

O termo Meritocracia foi criado como uma contrapartida para Aristocracia, onde pessoas nascidas em certos círculos herdavam riquezas, títulos, propriedades sem necessitar fazer nenhum esforço. A Meritocracia, então indicava que o enriquecimento, o sucesso profissional deviam ser decorrentes do esforço e do mérito pessoal.

Quando bem compreendida, a Meritocracia serve como motor e estímulo para o desenvolvimento pessoa. Quando mal compreendida, serve apenas como justificativa para a falta de compaixão e de solidariedade para com os menos afortunados.

Sempre haverá pobres

Talvez o pior erro do Comunismo tenha sido tentar tornar todos os homens iguais, contradizendo a Natureza Humana e a declaração enfática do Senhor Jesus. Até que, parafraseando George Orwell, descobriram que "todos os homens são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros" (A Revolução dos Bichos).

Deng Xiaoping 

Foi um dos responsáveis por tirar a China de uma situação de miséria e levá-la à condição de potência econômica, tecnológica e militar. Ele levou em conta a desigualdade inerente entre as pessoas. Xiaoping entendeu que não seria possível enriquecer todas as pessoas ao mesmo tempo; desse modo, aqueles que enriquecessem primeiro serviriam de motor e inspiração para o desenvolvimento coletivo. E assim foi. E assim tem sido na China. Deng Xiaoping compreendeu a essência da Meritocracia e abriu espaço para ela no processo que ficou conhecido como "Socialismo com características chinesas"!

Conclusão

Na dança das cadeiras, quando a música para alguns sentam e alguns ficam em pé. Eu posso sentar, envaidecido e orgulhoso da minha agilidade e esperteza, fechando completamente os olhos para aqueles que ficaram em pé. E nem me lembro que na próxima rodada eu posso também ficar sem cadeira, se os outros forem mais espertos e mais ágeis.

Metaforicamente (e em termos literais também), sempre haverá pessoas em pé à minha volta. Muitas delas mais rápidas e mais ágeis do que eu. Eu não faço as regras, não arranjo as cadeiras e nem desligo a música. Muitas vezes só poderei me compadecer e solidarizar. Outras vezes , porém, poderei fazer algo.

 Parafraseando Provérbios 21.13, eu encerro aqui dizendo que "quem fecha os ouvidos ao clamor dos que não têm cadeira, também clamará [quando ficar sem cadeira] e não terá resposta!"

 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

OS TRÊS (VERDADEIROS) PODERES

"A nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais" (Efésios 6:12)

QUEM SÃO OS VERDADEIROS ADVERSÁRIOS

Muitas batalhas que perdemos, muitas derrotas que sofremos não é por falta de coragem, falta de bons equipamentos, por fraqueza ou falta de motivação. Sofremos muitas derrotas porque simplesmente não identificamos os verdadeiros inimigos. Nos posicionamos, atacamos e nos defendemos contra inimigos imaginários enquanto o verdadeiro inimigo nos ataca e nos derrota sem oposição!

Em sua carta aos Efésios, antes de falar sobre a armadura que devemos usar e os cuidados que temos que tomar, o apóstolo Paulo primeiro estabelece uma regra simples e que, de tão simples, com muita facilidade é ignorada: Identifique corretamente quem é o seu verdadeiro inimigo! É claro que Paulo trata de um assunto totalmente diferente do que quero abordar aqui. Mas o princípio de Efésios 6 ilustra bem e se aplica.

OS TRÊS PODERES QUE REGEM O ESTADO DE DIREITO

Quem não lembra das antigas aulas de Educação Moral e Cívica na escola? Deveriam voltar. Seria ótimo para a família, para a Sociedade geral e para o mundo. Lá nós aprendíamos sobre o Hino Nacional, o Hino da Independência, o Hino da Bandeira, sobre cidadania e patriotismo. E aprendemos também sobre os Três Poderes que regem a Sociedade Democrática.

1. O Poder Legislativo

Como diz o nome, é onde as leis são elaboradas ou modificadas. No âmbito nacional, é representado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Além de elaborar ou alterar leis, a Câmara dos Deputados também exerce o poder de fiscalizar o cumprimento de tais leis.

Em termos simples, os senadores revisam as leis e projetos elaborados pelos Deputados.


2. O Poder Executivo 

Representado pelo Presidente da República e pelos Ministros, o Poder Executivo coloca em prática as leis elaboradas pelo Congresso. O Executivo administra os recursos recolhidos pelos impostos, transformando-os em serviços que atendem os interesses da população em geral.

 3. O Poder Judiciário

 É o poder que garante que o país funcione como um Estado Democrático de Direito, onde as leis funcionam, são repeitadas e são cumpridas. Aqueles que quebram as leis são penalizados de acordo com o Código Civil, o Código Penal e a Constituição.

O PODER DO DINHEIRO

Quando o país enfrenta tempos difíceis, juros altos, recessão, inflação, desemprego, preços exorbitantes ou qualquer outro problema, em geral nós olhamos para esses três poderes, considerando-os responsáveis por tudo de ruim que acontece.

Parafraseando o apóstolo Paulo, porém, podemos dizer que "a nossa luta não é contra o    Legislativo, Executivo ou Judiciário, mas contra o verdadeiro poder" que, apesar de ser invisível, é poderoso e afeta profundamente a nossa vida.

O CAPITAL

Num sentido mais amplo, Capital não se refere somente a dinheiro. Capital se refere também às ferramentas utilizadas para se gerar os recursos financeiros. Por isso podemos falar em 1. Capital Financeiro, 2. Capital Físico (máquinas, veículos, aparelhagens ou matérias-primas) e 3. Capital Humano (as pessoas e seus conhecimento e habilidades). 

O CAPITALISMO

 O Capital se refere a recursos. O Capitalismo, por sua vez, representa um sistema econômico e social baseado na propriedade privada e na busca pelo lucro.

 A busca pelo lucro

O Capital é impessoal. Não tem sentimentos. Não tem apreço pela vida humana. Não tem consideração pelas pessoas. Não se compadece com a pobreza e nem com o sofrimento humano. Por isso, homens e mulheres dominados pelo desejo de lucro se tonam insensíveis. É o que chamamos de ganância, ou seja, o desejo intenso, egoísta e descontrolado por riquezas, bens materiais ou poder, frequentemente superando o que é necessário para uma vida confortável ou digna. Não é difícil inferir que a ganância leva os indivíduos a prosperar e enriquecer à custa do  bem estar dos outros.

As pessoas são diferentes em muitos aspectos. Essas peculiaridades individuais fazem diferença também na busca da riqueza e da prosperidade. Algumas pessoas enriquecem, outras não. Alguns chegam no topo, outros param no meio do caminho, enquanto outros não conseguem sair do lugar. As desigualdades são inevitáveis e devem ser enfrentadas por todos os meios. A busca da riqueza gera desigualdades. A ganância aprofunda as desigualdades e impede que elas sejam combatidas!

OS TRÊS VERDADEIROS PODERES QUE DOMINAM A SOCIEDADE

1. O PODER ECONÔMICO

Que também pode ser chamado de Interesses Econômicos Nacionais e Transnacionais. No Capitalismo Financeiro que vivenciamos hoje, tanto no Brasil como em outros países ocidentais, é representado pelos grandes banqueiros, pelos proprietários de FinTechs, especuladores e operadores dos Mercados Financeiros e Bolsas de Valores. Para exercer seu poder e seu controle, os Interesses Econômicos lançam mão de algumas ferramentas.

 A MÍDIA CORPORATIVA

Muitos jornais, revistas, redes de rádio e de TV bem como as redes sociais são propriedade do Poder Econômico e estão a seu serviço, manipulando a informação e as narrativas. Mesmo quando não é o proprietário, o Poder Econômico exerce controle por meio de patrocínios milionários, exercendo um controle indevido sobre as informações filtrando, direcionando e transmitindo o que lhe interessa e omitindo ou distorcendo o que não convém.

JEFFREY EPSTEIN

É um exemplo claro e atual de um dos métodos que o Poder Econômico tem usado para exercer poder e influência. Muito mais do que uma rede de pedofilia e abusos sexuais, o escândalo em torno dos arquivos de Epstein mostram uma rede sofisticada e insidiosa de espionagem por meio de sedução e chantagem. 

 A LAVA-JATO

 Juízes e promotores da 13a. Vara de Curitiba empreenderam o que seria a maior operação contra corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobrás e outras grandes empresas. Os métodos utilizados nas investigações, porém, revelaram extenso uso de prisões desnecessárias, de delações, grampos de telefones, intimidação, coação e chantagem. Posteriormente foi revelado também o escândalo que ficou conhecido como "Festa da Cueca", onde altos membros do Poder Judiciário foram filmados em situação comprometedora e depois chantageados e coagidos. Difícil não notar a semelhança com os métodos usados por Epstein e por outros órgãos de espionagem.

 2. O PODER POLÍTICO

Aqui podemos incluir membros dos três poderes, Legislativo, Executivo e Judiciário. Seduzido pelo Poder Econômico, o Poder Político passa a trabalhar não mais em favor da Sociedade como um todo, mas sim em favor de uma elite privilegiada. As leis passam a ser feitas para beneficiar os ricos.

O controle do Poder Econômico sobre o Poder Político pode ser por meio de favores financeiros, propinas, subornos e contratos superfaturados. Aulas, palestras, consultorias comumente são meios usados para repassar altas somas de dinheiro. Hoje em dia muitos membros do Poder Político são colocados como sócios de empresas legitimas (geralmente offshore) e então recebem dividendos. 

Quando a sedução do dinheiro não funciona, o Poder Econômico então apela para chantagens, coação e ameaças. A Mídia Corporativa é aparelhada para promover os políticos que se alinham aos interesses do Poder Econômico. São citados positivamente e são convidados para dar entrevistas ou fazer comentários sobre questões atuais. Da mesma maneira, a Mídia é usada também para destruir reputações por meio de denúncias (verdadeiras ou falsas), insinuações ou simplesmente lançando os indivíduos que não se alinham aos interesses do Poder Econômico no ostracismo.

O PODER RELIGIOSO

Quando é seduzido pelo tilintar das moedas e pelo reluzir do ouro, o Poder Religioso também se coloca a serviço do Poder Econômico. Pregando sobre perdão, paz e submissão, ele passa a funcionar como elemento apaziguador. As pessoas são exortadas a não reagir, mesmo quando são tratadas com injustiça, são exploradas e até espoliadas.

O Poder Religioso também funciona como elemento de manipulação. Líderes religiosos com facilidade induzem seus fiéis a seguir numa direção. Os líderes dão o comando e as pessoas obedecem. Quando esse poder de comando se corrompe, torna-se uma ferramenta poderosa nas mãos de homens corruptos e gananciosos.  As Igrejas se tornam verdadeiros "currais eleitorais". Líderes religiosos inescrupulosos vendem votos em troca de benefícios e privilégios pessoais.

QUEM GOVERNA? 

"Governo dos bilionários, pelos bilionários e para os bilionários". Essa frase, na verdade uma paráfrase, tem sido repetidamente usada pelo Senador estadunidense Bernie Sanders, se referindo à situação atual. A única forma de compreender decisões aparentemente absurdas dos governantes é entender que por trás e acima deles há poderes e interesses invisíveis. Pessoas morrem nas guerras enquanto fabricantes de armas ganham dinheiro. E não permitem que as guerras sejam encerradas. E esse é apenas um exemplo.

CONCLUSÃO

"A nossa luta não é contra carne e sangue...", disse o apóstolo Paulo (Ef 6). Contra quem, então é a nossa luta? É a pergunta natural e óbvia que devemos fazer. Se for deixado fora de controle, o Poder Econômico, frio e impessoal, causa mais destruição do que as guerras, a fome e as doenças. Hoje nós vemos países onde o Poder Econômico assumiu o poder, toma decisões e estabelece diretrizes (visando os seus próprios interesses) enquanto o Poder Político assiste, de mãos atadas. Por medo ou por interesse. E o Poder Religioso aplaude. Por medo ou por interesse.

"Desejo intenso, egoísta e descontrolado por riquezas"... Essa é a força que impulsiona o Poder Econômico. Por definição, é uma força incontrolável. E que mesmo assim, precisa ser controlada. Quando se sente ameaçado, o Poder Econômico se defende e contra-ataca, utilizando todos os meios à sua disposição!

 

 

 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A FALÁCIA DA TEOLOGIA DO DOMÍNIO

 "Quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo; como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20.25-27)

A ESSÊNCIA DO EVANGELHO 

O Evangelho é um elemento de contraste. Um elemento de oposição. Desde que iniciou  Seu ministério, o Senhor Jesus reuniu um grupo de discípulos e começou a mostrar a eles esse contraste entre como as coisas são e como as coisas devem ser ser. Ele mostrou o Mundo em contraste com o Reino de Deus. A Mentira em contraste com a Verdade. A Escuridão em contraste com a Luz. A Morte em contraste com a Vida. A Perdição em contraste com a Salvação. O Orgulho em contraste com a Humildade. Vingança e Perdão. Egoísmo e Amor. A lista é longa e, essencialmente, é disso que trata o Evangelho.

No texto de Mateus Capítulo 20, o Senhor Jesus estabeleceu um desses contrastes. Dois dos seus discípulos queriam se assentar em tronos. Na visão deles, o Senhor Jesus, claro, se sentaria no trono do centro (cantamos isso até ficarmos roucos nas noites de domingo). E os dois irmãos se sentariam em tronos, cada um de um lado do Senhor Jesus.

 É interessante notar que o Senhor não os repreendeu. Não considerou o pedido estapafúrdio, ou absurdo. O Senhor Jesus se limitou a perguntar: "Vocês sabem o que estão pedindo? Sabem o que estão desejando?". E a seguir estabeleceu um contraste entre o significado de trono no Mundo e no Reino de Deus. No mundo, os homens se sentam em tronos para exercer domínio. Se sentam em tronos para ser servidos e para ter poder de vida e morte sobre os outros. No mundo, trono é lugar de regalias e de privilégios.

No Reino de Deus, quem se assenta no trono se torna servo de todos. Quem se assenta no trono dá a sua vida para salvar outros. No Reino de Deus trono significa amor abnegado, renúncia e sacrifícios.

DOMÍNIO

Hoje em dia muito se fala sobre Domínio nos meios evangélicos. Fomos criados para dominar (Gênesis 1.28). Fomos chamados para dominar (Mt 25.33). Fomos chamados para ser cabeça e não cauda (Dt 28.13). E vai por aí. Pouco se fala sobre ovelhas e pombas. Muito se fala sobre leões e sobre águias.

Como os dois discípulos, nós ficamos assanhados ante a perspectiva de nos assentar em tronos porque na verdade não entendemos o significado real daquilo que estamos almejando. Como tem acontecido com certa frequência nos últimos tempos, os textos bíblicos que estamos utilizando para fundamentar a nova doutrina do domínio, são interpretados erroneamente e empregados fora do devido contexto.

Como Tiago e João, nos empolgamos com a perspectiva de tronos e domínio porque enxergamos trono como sinônimo de privilégios, regalias e poder de vida e morte sobre outras pessoas. Sentar no trono significa enriquecer, ter prestígio, jamais ser questionado e ser temido. Sentar no trono significa andar na companhia de poderosos e se sentar nos melhores lugares. Sentar no trono significa ter o direito de espoliar outras pessoas.

A conversa de Jesus com Tiago e João sobre tronos, sobre os dominadores do Mundo e o Reino de Deus praticamente foi a única vez onde o assunto foi abordado.  O Senhor foi muito claro e o Seu exemplo era constante. Os discípulos entenderam. O livro de Atos não fala sobre tronos e nem sobre domínio. Em suas cartas, os apóstolos falam sobre amor, perdão, fé, esperança, perseverança, humildade, verdade e tantos outros assuntos que podemos chamar de A Doutrina dos Apóstolos (Atos 2.42). Nada sobre tronos. Nada sobre exercer domínio.

Hoje nós deixamos de lado o exemplo claro do Senhor Jesus, ignoramos a Doutrina dos Apóstolos e empilhamos textos bíblicos como castelos de cartas que não suportam uma análise hermenêutica ou uma exegese básica. Tudo para justificar o nosso desejo humano, carnal, de nos assentar em tronos e reinar segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo (Cl 2.8).

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

THE SEND E O "SOFT POWER" ESTADUNIDENSE

 "'Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito’, diz o Senhor dos Exércitos" (Zacarias 4.6)

Talvez os estadunidenses tenham se inspirado nessa passagem bíblica. Ou talvez tenham se inspirado no velho ditado que diz que "existem várias maneiras de se esfolar um gato". Ou talvez seja apenas a regra natural da existência humana: os poderosos sempre encontram uma maneira de conseguir o que querem.

"PELA FORÇA E PELA VIOLÊNCIA"

Em 1947, tropas dos EUA invadiram o porto de Veracruz no México, fundamental para a economia e o comércio do país. Depois da invasão, fizeram uma proposta de compra e o México concordou em vender a Califórnia, Nevada, Utah e partes de outros estados por 15 milhões de dólares.

Iraque, Líbia, Afeganistão são exemplos conhecidos de situações nas quais os EUA usaram a força militar para alcançar seus interesses. Antes do início da guerra contra o Iraque, o vice-presidente Dick Cheney marcou num mapa os locais de extração de petróleo em todo o país e ordenou que as operações militares fossem realizadas nesses locais. Nos nossos dias, uma força naval estadunidense que inclui um porta-aviões está se dirigindo para a região do Golfo Pérsico enquanto EUA chamam o Irã para "negociar", já avisando que, dependendo do resultado das negociações, "coisas muito ruins" poderão acontecer com o Irã.

O "SOFT POWER"

Quando a ameaça, a intimidação e a guerra não ajudam a alcançar seus objetivos, os poderosos então "esfolam o gato" de outra maneira. Usam o chamado "soft power", ou maneiras mais brandas de alcançar seus interesses.

REVOLUÇÃO COLORIDA

Como na conhecida fábula do Velho, o Menino e o Jumento, não importa como as coisas sejam feitas, sempre haverá pessoas criticando e insinuado que tudo devia ser feito de outra maneira. O mesmo acontece com Governos. Sempre haverá pessoas descontentes.

Quando  querem derrubar um Governo estrangeiro que não atende aos seus interesses, os EUA usam seus mecanismos de espionagem para entrar em contato com grupos dissidentes, oferecendo financiamento e treinamento, além de ampla cobertura midiática. Os grupos dissidentes organizam manifestações públicas, explorando temas

atuais como inflação, segurança pública ou corrupção. No meio dos "manifestantes" são colocados agentes treinados com a missão de instigar a violência e provocar uma reação por parte das autoridades. Recentemente isso ocorreu no Nepal, onde o governo foi derrubado. Houve relatos de atiradores treinados escondidos em telhados, atirando em manifestantes civis e em policiais. O mesmo aconteceu no Irã. Agentes estrangeiros foram filmados atirando na multidão. A Mídia Corporativa vai fazendo a "cobertura", mostrando a "brutalidade" dos agentes do Governo.

No Brasil tivemos um exemplo de Revolução Colorida no período do Governo da Presidente Dilma Rousseff. Sob o pretexto de um aumento no preço da tarifa de ônibus (de R$ 3,00 para 3,20), houve manifestações cada vez mais violentas nas ruas, com ampla cobertura da Mídia Corporativa. A popularidade da Presidente Dilma despencou nas pesquisas. Logo depois amargamos o Golpe de Estado.

A FÉ CRISTÃ

 Como já vimos em outros artigos, nas décadas de 1970 e 1980 os Interesses Econômicos estadunidenses usaram a Comunidade Evangélica Brasileira para alcançar alguns dos seus objetivos. Primeiro, queriam anular a "ameaça" da Teologia da Libertação. Segundo, queriam fortalecer a ingerência estadunidense no Governo brasileiro, por meio de aulas de inglês e reuniões de oração com membros do Poder Executivo e do Congresso. Terceiro, queriam fortalecer no Brasil a mentalidade pró-Capitalismo e pró-Estados Unidos ao mesmo tempo em que aumentavam a antipatia e a hostilidade contra o Marxismo e a Esquerda, mostrados sempre como algo demoníaco e contrário aos desígnios de Deus. E as estratégias funcionaram. Os objetivos foram plenamente alcançados.

THE SEND

 Saul foi ungido rei pelo sacerdote Samuel. Foi cheio do Espírito de Deus, chegou a profetizar junto com outros profetas. Ao longo do tempo, porém, sua vida e seu reinado foram de mau a pior. Ele mandou matar sacerdotes indefesos, tentou várias vezes matar Davi movido por inveja e ciúmes; foi oprimido por espíritos malignos e consultou uma feiticeira que havia sido banida de Israel. Finalmente se suicidou, depois de ser derrotado na guerra.

Nós aprendemos com Saul que não importa o quanto o início seja bom, abençoado e aprovado por Deus. Onde há seres humanos, há sempre a possibilidade de contaminação e corrupção. Muitas coisas começam bem e ao longo do tempo vão se desviando do propósito original.

No evento The Send 2026 tivemos uma amostra disso. Falou-se (e insinuou-se!) mais sobre política do que sobre envio de missionários ou vida santificada. Orações pedindo a Deus para "tirar os corruptos do poder". Profecias sobre o trato de Deus contra a corrupção e o início de um "novo tempo". Profecias sobre o alinhamento entre Brasil e Israel. Líderes evangélicos que estão sendo investigados por crimes diversos e por suspeita de corrupção estiveram presentes, pregando e orando. Homens que foram condenados a pagar indenização por calúnia contra opositores receberam profecias dizendo que serão usados por Deus.

MENSAGENS SUBLIMINARES OU "APITO DE CACHORRO"

Mensagem subliminar é aquela que vai direto para o inconsciente do indivíduo, provocando uma ação. Então, não é difícil perceber que algumas sementes foram plantadas no The Send: A corrupção está sendo revelada. Quer dizer, a corrupção foi claramente associada ao Governo atual e não a governos passados ou a membros do Congresso. Deus vai colocar o Brasil num novo tempo. Quer dizer, segudo o "desígnio" de Deus, não haverá reeleição. O Brasil precisa se alinhar com Israel. O presidente Lula foi considerado persona non grata em Israel por reprovar a matança de palestinos na Faixa de Gaza. Flávio Bolsonaro foi batizado no Rio Jordão e apareceu ao lado do Primeiro-ministro Benjamin Netaniahu. Nos últimos dias, no Rio de Janeiro e em São Paulo manifestantes foram presos nas ruas levando com eles coquetéis molotov, garrafas com querosene e outros líquidos inflamáveis. Não representavam nenhum partido (como em 2013) e afirmaram estar se manifestando contra a corrupção e gritavam "Lula na prisão!". Não seria de admirar se alguns desses manifestantes participaram dos eventos do The Send e estavam na rua crendo que cumpriam o desígnio divino e que sua prisão era a dita "perseguição religiosa".

Em sua mensagem em Recife, o Pastor Silas Malafaia insinuou para os milhares de jovens presentes na audiência que eles estão sendo enganados nas escolas. O efeito subliminar será um sentimento de desconfiança e de antagonismo para com professores. O mesmo sentimento que já foi gerado na mente dos brasileiros em relação ao Poder Judiciário, especialmente o Supremo Tribunal Federal.

FANATISMO

Fanatismo significa "adesão cega a um sistema ou doutrina que pode levar a extremos de intolerância. Dedicação excessiva a alguém ou algo". Para criar um grupo de fanáticos, primeiro é necessário calar todas as outras vozes de modo que somente uma voz seja ouvida e obedecida. Os movimentos autoritaristas começam sempre com mensagens inflamadas do tipo "Eles estão errados! Eles não sabem! Eles querem prejudicar você!". E esse processo está em andamento aqui no nosso país. Líderes autoritários primeiro se cercam de fanáticos. Políticos corruptos sabem que o fervor religioso legítimo facilmente se transforma em fanatismo. Por isso o interesse em juntar política com religião.