Como todos sabem, a região serrana de Macaé é conhecida pelos fortes ventos. É comum ventar muito por aqui; os moradores já estão acostumados. Na última madrugada, porém, ventou mais forte do que o normal. Acordei de madrugada com a casa toda escura (faltou energia elétrica) e ouvindo o som aterrador do vento lá fora. De manhã, abri a porta de trás e fui dar uma olhada no quintal: havia muitos galhos de árvores pelo chão, muitas mangas verdes que caíram do pé e muitas folhas (mais do que de costume!)! Minha horta estava toda coberta de folhas; alguns pés de alface, ainda pequenos, não resistiram; os pés de couve estavam com as folhas todas reviradas; a cobertura que fiz com folhas de coqueiro tinha sido toda arrancada! Fui comprar pão pensando no meu prejuízo e nas minhas perdas e ao encontrar com vizinhos comecei a ouvir os relatos. Muitas residências ainda estavam sem energia; várias casas tiveram os telhados arrancados; árvores foram arrancadas do solo com raiz e tudo. Percebi que minhas perdas não foram tão grandes como pensei a princípio...A vida é assim. Às vezes certas circunstâncias nos fazem sentir como se fôssemos as pessoas mais miseráveis do mundo... Até que olhamos à nossa volta. Até que eu levanto os olhos e deixo de olhar para mim mesmo, o "meu", a "minha" e olho para as pessoas que experimentam problemas e dificuldades muito maiores. Eu passei a manhã inteira juntando galhos e folhas no quintal, enquanto um vizinho passou a manhã refazendo o telhado da sua casa, olhando angustiado para o céu escuro, prenunciando chuva!
O vento me fez lembrar do texto de Hebreus citado acima. Em resumo, diz que se quisermos ter algo INABALÁVEL (sólido, que não se abala), temos que primeiro permitir que tudo o que é ABALÁVEL (que não é firme, que não tem solidez) seja removido!
O vento é um indicador. O vento derruba tudo o que é "derrubável". O vento leva tudo o que é "levável". O vento arrasta tudo aquilo que é "arrastável"... Quando o vento pára, só fica em pé aquilo que não pode ser derrubado. Só fica no lugar aquilo que não pode ser levado. Só permanece aquilo que não pode ser arrastado! Assim, o vento revela a fragilidade de cada coisa!
Simples, não é? Se eu moro num lugar conhecido pelos fortes ventos, ao fazer uma cobertura para a horta, arranjar um jardim ou construir um telhado, devo perguntar: "Vai resistir ao vento?". Vou ter que refazer a cobertura da horta. E esta vez, com certeza vou prender melhor! Os ventos são imprevisíveis e às vezes chegam de forma inesperada. Então, temos que estar sempre preparados!
Esta foi a minha reflexão de hoje, que quero compartilhar com meus amigos e irmãos!