Jesus ensinou: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me" (Lucas 9.23; veja também Mt 10.38; Mc 8.34). Significa, dentre outras coisas, que todo cristão deve estar disposto a fazer renúncias e sacrifícios extremos.
Muitos cristãos estão de fato carregando a cruz. Não, porém, segundo o exemplo do Senhor Jesus, que carregou a sua PRÓPRIA cruz e morreu nela. Muitos cristãos estão carregando a cruz segundo o modelo de Simão de Cirene!
A menção de Simão é muito pungente. No caminho para o Gólgota, depois de ter suportado castigos físicos, escárnios e zombarias, o Senhor Jesus mal se aguentava em pé, quanto menos caminhar ladeira acima e ainda carregando a pesada cruz de madeira maciça! Naquele momento surge Simão e auxilia o Senhor a completar o trajeto até o local da crucificação. Muito louvável, sem dúvida nenhuma. Simão Cireneu, porém, NÃO é um bom exemplo para nós cristãos. Mesmo assim, muita gente está seguindo o seu modelo!
Simão Cireneu estava ali por acaso. Chegou do campo e a caminho de casa viu a agitação na cidade e foi olhar. Estava no caminho do Senhor Jesus como mero expectador, no meio de muitos outros. Muita gente está seguindo Jesus, mas como meros expectadores, sem desejar muito envolvimento.
Simão Cireneu foi forçado a carregar a cruz. A escolha não foi dele. Foi ameaçado pelos soldados. Provavelmente sua primeira resposta deve ter sido negativa. "Eu não posso! Tenho família! Tenho compromissos! Estou aqui apenas de passagem! Mandem outro!". A lista de possíveis justificativas é praticamente infindável! Tem muito cristão carregando a cruz como se estivesse sendo ameaçado.
Simão Cireneu carregou a cruz durante pouco tempo. Assim que chegaram ao Calvário, devolveu a cruz para o seu "verdadeiro" dono ("verdadeiro" entre aspas porque aquela cruz era MINHA!). Muita gente está carregando a cruz, mas no coração já determinou que será por pouco tempo, esperando apenas uma oportunidade para soltar a cruz e se afastar!
Simão Cireneu carregou a cruz, mas não se tornou discípulo de Jesus. Ele não é mais mencionado em nenhum lugar na Bíblia junto com aqueles que tiveram a vida transformada pelo poder do Evangelho! Muita gente está carregando a cruz, mas sem experimentar uma transformação interior profunda e radical.
Simão Cireneu carregou a cruz, mas seu sacrifício foi apenas parcial. O sacrifício maior foi feito por outra pessoa. Muitos cristãos estão carregando a cruz, mas sem nenhuma disposição de se sacrificar ou fazer renúncias. Deixam isso para outras pessoas, para os pastores ou seus líderes espirituais.
Resumindo, Simão Cireneu estava perto de Jesus apenas por curiosidade. Foi forçado e ameaçado para carregar a cruz. Carregou a cruz por pouco tempo, apenas UM DIA. A cruz não causou nele nenhuma transformação profunda. Carregou a cruz de outra pessoa, não a sua PRÓPRIA cruz! Por tudo isso, apesar de ter tido um papel extremamente relevante em toda a história da crucificação do Senhor Jesus, ele não serve de exemplo e nem de inspiração para nós.
Carregar a cruz deve ter como base uma decisão individual. Devemos nos aproximar do Senhor Jesus porque reconhecemos a nossa necessidade, nossa condição miserável. Não podemos e nem devemos carregar a cruz por um dia, mas TODOS OS DIAS! A cruz deve causar em nós uma transformação interior profunda e radical! Finalmente, não podemos carregar a cruz esperando que outra pessoa faça o sacrifício ou a renúncia. A cruz deve ser NOSSA e de mais ninguém!



