sexta-feira, 22 de julho de 2016

A GERAÇÃO "SELFIE"

"Nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos..." (2 Timóteo 3.2)

Infelizmente, a cena que vou descrever aqui não é incomum nos nossos dias: Durante a passagem da tocha olímpica por Osasco (SP), um policial militar perdeu o controle da moto e caiu bem diante das câmeras. Passado o susto, as pessoas que estavam mais próximas entraram rapidamente em ação Algumas tentaram levantar a pesada moto, enquanto outras socorriam o policial. No meio da confusão, um homem apareceu com um aparelho celular na mão, buscando a melhor posição para tirar um (ou uma, quem sabe?) "selfie", aquela foto que as pessoas tiram de si próprias. Tentou de um jeito, tentou de outro, procurando se enquadrar na foto sem perder a cena que se desenrolava lá atrás.

"Selfie" é aquele tipo de foto em que o indivíduo coloca a si próprio no centro, em primeiro plano e tudo o mais em segundo plano, seja uma pirâmide no Egito, um animal exótico num parque zoológico, os amigos numa mesa de restaurante, a Torre Eiffel em Paris, ou até mesmo um policial espremido debaixo de uma pesada moto.

Nada contra os aparelhos celulares. Nada contra esse ou aquele tipo de foto. O que preocupa é que a "Selfie" reflete a filosofia de vida de muitas pessoas: "EU EM PRIMEIRO PLANO. EU EM PRIMEIRO LUGAR. O RESTO EM SEGUNDO PLANO. O RESTO EM SEGUNDO LUGAR". Essa filosofia de vida gera uma atitude insensível diante da dor e do sofrimento alheio. Em vez de ser solidário e ajudar, a prioridade do indivíduo é obter alguma vantagem. Ele não pensa no sofrimento alheio. Ele pensa nas visualizações que sua foto terá!

Creio que foi isso que o apóstolo Paulo pensou quando escreveu sua segunda carta a Timóteo. Ele disse que nos últimos dias os homens seriam "amantes de si mesmos" (versão ARC), mais interessados em si próprios do que nos outros. Cada pessoa se colocaria no centro da foto, em primeiro plano e todas as outras coisas ficariam em segundo plano.

Simbolicamente, o ensino bíblico, como sempre, aponta na direção contrária. A Bíblia nos instrui a colocarmos a nós mesmos lá atrás na foto, como o elemento menos importante da cena. O ensino bíblico é colocarmos o bem-estar do policial que caiu da moto acima da vantagem que podemos obter com uma foto.

Precisamos sondar nosso coração e avaliar se nossas "selfies" são apenas fotos inofensivas e até divertidas ou expressam um estilo de vida. Somos realmente capazes de colocar a nós mesmos, nossos desejos, interesses e sonhos em segundo plano enquanto estendemos a mão para o nosso próximo? Ou pertencemos à geração "Selfie", amantes de si mesmos, colocando sempre o próprio EU em destaque, em primeiro plano e insensíveis para o que acontece à nossa volta?