OUVIR E OBEDECER
"Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração como foi na provocação, no dia da tentação no deserto" (Hb 3.7,8)
Resumidamente, a ordem de Deus neste versículo é: "Eu vou falar, vocês vão ouvir e vão obedecer!". Uma regra simples, clara e direta.
Convivendo com casais amigos com filhos pequenos (2 a 5 anos), observamos algo comum e curioso. Os filhos não têm o hábito de "ouvir" o que os pais dizem! Os pais se dirigem às crianças, seja dando uma ordem ("não pegue!", "tire a mão!", "não entre aí!", etc.) ou apenas fazendo um comentário (tipo "cuidado para não cair!", "cuidado com a escada!" etc.) e os filhos simplesmente ignoram e continuam fazendo o que estavam fazendo!
A voz de comando se perde e, obviamente, não há nenhum tipo de retorno por parte da criança. De todos os problemas que envolvem a educação de filhos pequenos, este é um dos mais graves! As causas para este estado de coisas podem ser variadas, mas vamos tentar destacar aqui as mais recorrentes:
Ambiente prolixo: "Prolixidade" significa excesso de palavras, de falas. A criança acostuma a brincar e fazer suas coisas ao som das vozes dos adultos. O tempo todo!... Quando uma ordem é dada, ela se perde no meio do emaranhado da prolixidade reinante! Muitas vezes a criança, principalmente os meninos, nem percebe que AGORA é com ela!
Ambiente de indefinição: Pais incoerentes que a todo momento mudam as regras de acordo com seu estado de humor acabam criando uma confusão na mente da criança e esta deixa de tentar entender e simplesmente ignora as ordens.
Ambiente de pouca firmeza: Os pais dão uma ordem e logo depois esquecem e retomam suas atividades sem supervisionar se a ordem foi obedecida ou não. O resultado é que a criança passa a ficar bem quietinha, fingindo que não ouviu, esperando o papai ou a mamãe se ocupar com outra coisa ou outra pessoa!
Ambiente de "jogo de poder" ou "queda de braço": Os pais falam, as crianças teimam e começa o "vamos-ver-quem-pode-mais"... Em geral, infelizmente os pais desistem e abrem mão da obediência da criança, sem perceber que estão abrindo mão também (e principalmente!) da própria autoridade. Os pais dizem: "Não pega! Não pega!" enquanto a criança finge que não ouve e estende a mão para pegar. Percebendo que serão derrotados na "queda de braço", os pais então dizem: "Está bem, pode pegar. Mas pega SÓ um!!". E a criança, triunfante, pega dois!!
À medida que os filhos crescem e se desenvolvem, as coisas podem e devem mudar. Muitas regras precisam ser reavaliadas. Alguns limites precisam ser negociados. Alguns conceitos precisam ser revistos. Uma regra, porém, deve permanecer absoluta e inalterada: "Quando ouvirem a minha voz, não ignorem! Obedeçam!"
Pais, não deem ordens às crianças enquanto elas se movimentam. Não permitam que a criança dê as costas e continue suas atividades. Peça à criança que pare. Coloque-se no nível dela. Olhe nos olhos dela e dê a voz de comando com calma e clareza. Peça um retorno: "Você me entendeu? O que o papai/mamãe mandou você fazer?". É um processo lento e cansativo, mas os filhos aprenderão acima de tudo a NÃO ignorar a voz de autoridade!
No próximo artigo, vamos abordar mais alguns aspectos importantes sobre esta questão. Por enquanto fica aqui o alerta aos pais: (1) Evitem a prolixidade (falar demasiadamente); (2) sejam coerentes com as regras (se agora é errado, amanhã também deve ser errado); (3) sejam firmes na aplicação das regras (que devem ser estabelecidas com cautela); (4) não tenham receio de exercer a autoridade de pais!

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