quarta-feira, 14 de junho de 2017

"NÃO CONFIEM NOS BRASILEIROS!"

"Tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Dizes que não se deve cometer adultério e o cometes? Abominas os ídolos e lhes roubas os templos? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Pois, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa" (Rom 2.21-24)

Eu tinha um amigo que trabalhava num banco internacional na Avenida Paulista, em São Paulo. Ele era motorista exclusivo dos altos executivos do banco, na maioria americanos e passava o dia conduzindo "gringos" para lá e para cá. Ao longo do tempo ele foi aprendendo um pouquinho do idioma Inglês e conseguia manter algumas conversas cm seus passageiros, principalmente com aqueles que falavam um pouco de Português.

Um executivo americano lhe contou sobre um curso que eles tinham que fazer nos EUA como preparação para virem ao Brasil. Eles aprendiam um pouco sobre a língua, os cuidados que tinham que tomar com alimentação (comidas pesadas como feijoada etc.). Eles aprendiam também sobre a cultura e os costumes do povo brasileiro. Nós éramos descritos no curso como um povo simpático, receptivo e alegre. No entanto, os instrutores diziam enfaticamente: "NÃO CONFIEM NOS BRASILEIROS!!". A seguir, eles apresentavam algumas características do povo brasileiro: "Eles são (na maioria) indolentes, mentirosos, não honram a própria palavra (não cumprem aquilo que dizem) e não perdem a chance de roubar e trapacear!". E os instrutores davam alguns exemplos, sobre objetos e bagagens que poderiam ser roubados. Prestadores de serviços que não cumpriam prazos, comerciantes que roubavam no troco ou cobravam valores exorbitantes etc, etc, etc.

Os instrutores dos executivos NÃO se referiam aos políticos brasileiros, como deputados, vereadores, senadores, prefeitos ou governadores. Eles se referiam ao taxista, o porteiro do hotel, a camareira, o carregador de bagagem, o garçom e o balconista. Pessoas comuns, ordinárias, como você e eu.

Confesso que fiquei indignado quando ouvi essa história. Meu primeiro pensamento foi "EU não sou esse tipo de pessoa!". Mas devo admitir que como povo, somos assim. Somos um povo que se gaba de achar um "jeitinho" para consertar qualquer situação, o que em geral implica em burlar a Lei ou prejudicar outras pessoas. Somos um povo que se gaba de "levar vantagem em tudo, certo?" (quem lembra?), o que também em geral significa desprezar o bem comum, a ética e as Leis!

Parece que todos os adjetivos que nós brasileiros usamos quando nos referimos aos políticos brasileiros, são igualmente usados em relação a NÓS MESMOS! Os políticos são extraídos do NOSSO meio. São pessoas comuns e ordinárias como NÓS. Quando chegam lá nos "níveis superiores", fazem aquilo que aprenderam e que faziam aqui nos "níveis inferiores"!

A nossa indignação (de modo geral) com os políticos corruptos é que eles têm acesso a mais recursos do que nós. Aqui nos "níveis inferiores" nós roubamos em pequena escala: um troco aqui... uma carteira perdida ali... Um celular esquecido em cima de uma mesa (afinal, "achado não é roubado!")... Uma caneta levada para casa... Uma fotocópia não autorizada... Os políticos roubam em escala industrial e profissional enquanto nós temos que nos contentar com nossos pequenos delitos artesanais e amadorísticos!

Parafraseando o apóstolo Paulo no texto de Romanos, nós condenamos os políticos em coisas que NÓS também fazemos. E a nossa fama la no exterior é a pior possível...

Creio que a solução para a corrupção no Brasil é nós pararmos com a hipocrisia e a encenação e começarmos a nos perguntar ONDE os políticos e empresários aprendem a arte do engano, da trapaça e da ilegalidade. E como povo, como nação, admitirmos que eles aprendem aqui conosco!




2 comentários:

  1. Entāo como nao podemos atirar pedras que tal arrependimento e confissão? Porque admissão nao e confissāo!

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  2. Entāo como nao podemos atirar pedras que tal arrependimento e confissão? Porque admissão nao e confissāo!

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