quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

TERCEIRA IDADE

 “Senhor, o meu coração não é orgulhoso e os meus olhos não são arrogantes. Não me envolvo com coisas grandiosas nem maravilhosas demais para mim. De fato, acalmei e tranqüilizei a minha alma. Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha alma é como essa criança. Ponha a sua esperança no Senhor, ó Israel, desde agora e para sempre!" Salmo 131.1-3

Podemos dar qualquer nome. “Velhice”, termo que foi banido por ser ofensivo demais e dar a falsa idéia de “velho, desgastado, deteriorado, antigo, obsoleto”. Podemos falar na “Melhor Idade”, forma considerada mais positiva e acolhedora… Mudar o nome das coisas, para dar uma idéia mais positiva e acolhedora às vezes ajuda, mas outras vezes só contribui para que eu tenha ainda mais dificuldade de aceitar a minha própria realidade. O médico me dizer que meu coração está em perfeitas condições para ser mais positivo e acolhedor NÃO vai me ajudar a enfrentar a fila na farmácia para pegar os três ou quatro remédios que ele receitou… Se o meu coração está em perfeitas condições, por que enfrentar fila?”

Vamos adotar aqui a expressão TERCEIRA IDADE, um meio-termo entre Velhice e Melhor Idade… O mais importante é que eu entenda que termos NÃO modificam realidades! Então, falando em Português claro, preciso estar preparado porque o nome mais adequado pode ser ÚLTIMA IDADE!

Quero falar um pouquinho com os meus botões sobre esse tema. Para isso, escolhi o texto do Salmo 131 que sempre falou muito ao meu coração. Lembrei desse texto nesse alvorecer do ano de 2026 e ele falou muito ao meu coração.


O meu coração não é orgulhoso… Os meus olhos não são arrogantes”

Enfrentar a Terceira Idade exige humildade! Alguns dizem que é a fase em que a vida mais subtrai do que soma“O coração” fala sobre o meu interior, aquela parte que ninguém vê, só eu… Tem a ver com as minhas motivações e intenções. Às vezes eu digo para alguém que me oferece ajuda “Obrigado! Eu não quero incomodar!”… Parece um atitude muito correta e até piedosa… Mas no meu interior eu sei que estou recusando a ajuda porque quero mostrar que sou capaz, que sou independente! E não há NADA de piedoso nesse tipo de atitude!

Os olhos” tem a ver com o que é exterior, que é visível… Muitas vezes as pessoas falam uma coisa, mas quando olhamos nos olhos delas, vemos que os olhos estão dizendo OUTRA coisa. E o Salmista diz que não quer que haja nenhuma incoerência entre as palavras que saem da boca, as motivações do coração e a mensagem que pode ser vista nos olhos, na expressão do rosto, nos gestos! Ser humilde, entre outras coisas, significa aceitar as coisas pelos motivos certos e recusar as coisas também pelos motivos certos!


Não me envolvo com coisas grandiosas nem maravilhosas demais para mim…”

A Terceira Idade impõe novas realidades. Eu começo a enfrentar uma variedade de limitações, que devo encarar com humildade verdadeira!

Limitações Físicas. São as mais óbvias e muitas vezes as mais difíceis de aceitar. Eu não consigo carregar os mesmos pesos que carregava na Segunda Idade, ou na Primeira. Não consigo correr tão rápido. Nã consigo caminhar as mesmas distâncias.

Limitações Emocionais. Não tenho mais a mesma resiliência que tinha antes. Não tenho mais a mesma capacidade de enfrentar ofensas, desprezo ou palavras duras. Me tornei mais melindroso… Não tenho mais a mesma paciência que tinha antes. Algumas coisas, que antes não me afetavam, agoram me deixam exasperado!

Limitações Intelectuais. Quando falam comigo as pessoas têm que repetir as mesmas palavras… Não porque eu não ouvi, mas porque eu simplesmente não entendi… Ou esqueci o que foi dito… E eu acho que o problema está nas outras pessoas, então eu faço questão de repetir, repetir e repetir as minhas falas e as minhas histórias!

Então, eu preciso admitir as novas limitações e, mais importante, aceita-las! Eu não sou mais Multi-Tarefas. Agora eu sou, quando muito, “Mono-Tarefa”. Não posso começar coisas sem ter a certeza de que vou conseguir terminar. Tenho que escolher bem as minhas batalhas! Não posso sobrecarregar as pessoas com as quais convivo, por falta de humildade e de discernimento! As limitações impostas pela Terceira Idade podem parecer cruéis, injustas e implacáveis… Mesmo assim, preciso aceitá-las com humildade.


Acalmei e tranquilizei a minha alma”

Expectativas NÃO cumpridas geram frustração, ressentimento e amargura. A única forma de “acalmar e tranquilizar a alma” é reformular as expectativas em relação às outras pessoas e, principalmente, em relação a mim mesmo. Não posso exigir de mim mesmo tarefas que não posso executar. Prazos que não consigo cumprir. Não posso exigir de mim mesmo protocolos e procedimentos que não consigo preencher.

Combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé” (2 Tm 4.7), disse o apóstolo Paulo, na sua Terceira e Última Idade! Repare que os verbos estão todos no Pretérito Perfeito. A Terceira Idade deve ser fundamentada nesse sentimento de dever cumprido, de missão terminada… Entretanto, Seres Humanos imperfeitos que somos, geralmente quando olhamos para trás, vemos uma longa lista de devia fazer mas não fiz… devia ir mas não fui… devia falar mas não falei…”. Então, a Terceira Idade me oferece a chance de fazer as pazes com o passado e buscar a redenção por meio do arrependimento, da reparação e do perdão! Se eu tentar, fazer agora o que não fiz, ir onde não fui, ou falar o que não falei, vou transformar a minha vida num tormento… Bem como a vida de outras pessoas!


Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe…”

As limitações trazidas pela Terceira Idade me colocam numa condição muito semelhante à de uma crinça pequena. Vou depender de outras pessoas… Preciso de ajuda, até para tarefas muito pequenas… Preciso ser lembrado de coisas que preciso fazer… Preciso ser conduzido… E eu preciso facilitar a vida das pessoas que terão essa incumbência. Humildade!

Ao mesmo tempo, a Terceira Idade traz também um sentimento de satisfação, de realização. Um sentimento de plenitude, no sentido bíblico. Plenitude é quando “não me falta nada!”. Não porque eu tenho tudo, mas sim porque estou satisfeito e contente com o que tenho! Humildade!


Ponha a sua esperança no Senhor… Agora e sempre!”

O futuro de quem está na Terceira Idade é cheio de INCERTEZAS. A perspectiva da “Última Idade” pode ser bem assustadora, até aterrorizante. E eu preciso enfrentar as incertezas do futuro sem medo, com fé e esperança… Se tenho coisas a acertar, contas pendentes, então faço os acertos, faço as reparações. E encaro o futuro com coragem e esperança! Não esperanças infundadas em médicos, remédios, filhos, irmãos ou netos… Mas uma esperança firme, inabalável no DEUS DA ESPERANÇA (Rm 15.13).

Espero que meus botões tenham entendido tudo direitinho...



3 comentários:

  1. Eu entendi, embora sei que vou esquecer e....que nao sou seu botão!

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    1. Oi Isabel, obrigado pelo seu comentário! Confesso que gostaria de ser um botão no seu casaco para saber o que se passa dentro da sua mente brilhante! Abraço!

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