terça-feira, 17 de março de 2026

A BÍBLIA, EMPREGADORES E EMPREGADOS

"Ouçam agora vocês, ricos! Chorem e lamentem-se, tendo em vista a miséria que lhes sobrevirá... Vejam, o salário dos trabalhadores que ceifaram os seus campos, e que por vocês foi retido com fraude, está clamando contra vocês. O lamento dos ceifeiros chegou aos ouvidos do Senhor dos Exércitos" Tiago 5.1-4

Como já vimos, as pessoas são diferentes. Essas diferenças decorrem de questões culturais, étnicas, sociais, familiares e individuais. Diferente não é sinônimo de superior ou inferior. Não é sinônimo de melhor ou pior. E tampouco é sinônimo de certo ou de errado. Por exemplo, a banana é superior à laranja? A cenoura é melhor do que a batata? Quem está certo, a geladeira ou o fogão?

E as diferenças vão fazendo a diferença, por assim dizer. Muitos treinam arduamente e fazem grandes sacrifícios. Mas nem todos ganham medalhas. Muitos trabalham duro e se dedicam, mas nem todos recebem promoção. Nem sempre há vagas disponíveis para todos os desempregados. Não é difícil de entender.

Como nos nossos dias, nos dias de Tiago, havia grandes produtores rurais de um lado e havia trabalhadores do outro. E diferente dos nossos dias, não havia CLT. Não havia sindicatos. Os salários eram combinados entre empregadores e empregados, sem interferência do Estado.

Como pode se imaginar, devia haver mais oferta de mão de obra do que vagas disponíveis. Quando a oferta é maior do que a procura, o preço cai.  Quando a fila de desempregados dá a volta no quarteirão, o trabalhador sabe que não pode sentar, cruzar as pernas e determinar quanto quer ganhar. Vai ter que aceitar o que for oferecido. Não é difícil de entender. E assim o valor do trabalho vai sendo estabelecido por critérios mensuráveis, claros e bem definidos.

"Salário retido com fraude" 

Tiago não condena a desigualdade entre produtores e ceifadores. Ele não condena a relação entre empregadores e empregados. Ele não condena nem mesmo o valor do salário. Tiago condena duramente a ganância, a busca desenfreada por lucros desmedidos. O que chega "aos ouvidos do Senhor", segundo Tiago, é a falta de caráter e a falta de escrúpulos, não de todos, mas de alguns produtores.

Um garoto de dezessete anos foi contratado para colher café numa grande plantação. Apesar de ser menor de idade, foi contratado, sem registro, em detrimento das Leis Trabalhistas e do Estatuto do Menor e do Adolescente. O garoto se esforçou, trabalhou duro e no final, quando foi receber o salário, percebeu que o valor não era o que tinha sido combinado. O patrão explicou que tempos atrás o irmão do garoto havia trabalhado na colheita, pediu um adiantamento e desapareceu. O patrão então descontou do seu salário o valor que o irmão ficou devendo. E aquele garoto teve que aceitar, sem ter a quem recorrer ou onde reclamar.

Quando não há legislação e supervisão, as relações trabalhistas funcionam com base na lei do mais forte, do mais poderoso. E homens gananciosos enriquecem à custa do trabalho, do sacrifício e do sofrimento dos outros. Os direitos do trabalhador passam a depender única e exclusivamente do caráter e do senso de ética do empregador.

Lembremos que as pessoas são diferentes.  Algumas são honestas, outras não. Algumas têm escrúpulos, outras nem tanto. Num Estado Democrático de Direito, as Leis servem como proteção para os mais fracos nas suas interações com os mais fortes. Como aquele garoto que trabalhou na colheita.

Quem crê na Bíblia e tem a Bíblia como "regra de fé e prática", deve viver de acordo com os seus princípios e mandamentos. Devemos reprovar aquilo que a Bíblia reprova, em todas as circunstâncias.

As desigualdades sempre estarão presentes nas relações humanas. Para combater as injustiças, os abusos, a exploração e a opressão, não podemos permitir que "o salário do trabalhador seja retido com fraude". É preciso que haja leis e que essas leis sejam cumpridas por todos!




3 comentários:

  1. Como eu gosto das tuas reflexões, são realistas, profundas, inteligentes, meu irmão, continue nos presenteando com te tos assim, porque precisamos pensar.

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  2. O comentário anterior é meu, não sou anônima.

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